O Convento de Sandelgas ganhou o Prémio ZIWA 2019 como um dos melhores profissionais de casamentos de Portugal 

Sandelgas Convent has won the ZIWA 2019 Award as one of Portugal's best wedding professionals

história

O Convento de Sandelgas, erguido no Baixo Mondego no século XVII, abraçou as religiosas da Terceira Regra de S. Francisco de Assis.

 

D. Isabel, viúva de D. João de Castro, na companhia de outras senhoras, passaram a fazer vida conventual, retirando-se do mundo. Tão forte eram as suas vocações, que obtiveram de D. Manuel o real beneplácito para impetrar ao Papa Alexandre VI, um breve para fundar um convento. As freiras prometeriam observar três votos essenciais: Pobreza, Obediência e Castidade.

Recolheram-se junto à Ermida de Nossa Senhora de Campos em Montemor-o-Velho onde fundariam o primeiro convento.

Numerosas personalidades, tais como D. Manuel, D. João III, D. Catarina, D. João IV, D. Pedro II, D. João V, D. Afonso de Castelo Branco, Bispo de Coimbra e populares socorriam as freiras com as suas esmolas. As irregularidades do caudal do Mondego causaram estragos no convento de Montemor-o-Velho, a tal ponto que teve que se pensar numa transferência para um local mais seguro.

Sandelgas surgiu como sítio ideal para acolher as religiosas. Ali não tinham que temer a fúria do Rio que quase serviria de sepultura.

A transferência para Sandelgas ocorreu em 28 de maio de 1691 utilizando algumas barcas: a primeira estava reservada para a Madre Abadessa e mais Madres da Ordem, a segunda para o Padre Provincial e Ministros da Justiça, a terceira para religiosas, à qual se seguiam outras com pessoas seculares. Com elas levaram a Cruz de Cristo e uma imagem de Nossa Senhora de Campos.

 

O novo edifício de planta retangular, encontrava-se rasgado por múltiplas janelas e portas que contribuíram para dar vida à fachada, evitando a monotonia. Da severa modéstia arquitetónica do edifício o que aliás ia de encontro da pobreza franciscana ressalta o portal da igreja, surgindo como uma espécie de hino de glória à pedra de Ançã, remontando ao terceiro quartel do século XVII.

 

Para sul do edifício conventual estendia-se um vasto terreno que se achava isolado do mundo exterior por um muro alto. A cerca, com as suas hortas e jardim semeado de fontes e lagos, oferecia-se às conventuais como um local de trabalho, de lazer, contemplação e oração. Este espaço sem dúvida intemporal, fazia deste modo, as vezes de claustro, local aprazível e calmo que permitia a deambulação e repouso. 

 

No meio do frondoso bosque de cedros, não muito longe do convento, alguns degraus permitem o acesso à chamada fonte das freiras situada abaixo do nível do solo. A poucos metros, ergue-se a fonte de S. João na qual um nicho com colunas jónicas abriga a escultura do Santo em pedra de Ançã. Decoram a parede da fonte, azulejos xadrezados do século XVII. A rematar este pequeno conjunto arquitetónico, encontra-se uma cruz de pedra.

 

A vivência das freiras no convento de Sandelgas processou-se normalmente até à extinção das ordens religiosas ocorridas em 1834. O período que se segui revelou-se bastante conturbado, tendo culminado numa portaria governamental que, a 15 de setembro de 1848, transferia as religiosas de Sandelgas para o Mosteiro de Santa Clara de Coimbra.

O período era propício ao desrespeito pelos bens da Igreja e a venda do convento a particulares foi permitida. Este veio a ser adquirido em hasta pública em 19 de agosto de 1865 pela família Moura Gusmão em cuja posse está ainda hoje.